A nova edição do Muzonguê da Tradição promete ser um verdadeiro tributo à essência instrumental do semba e da música angolana, com destaque especial para cinco guitarristas, dois tamboristas e um dikanzista, reconhecidos pelos seus contributos artísticos ao longo das décadas.
O evento, que contará com Proletário, Mago de Sousa, Fiel Didi, Lolito e o suporte da consagrada Banda Movimento, trará um repertório cuidadosamente preparado para valorizar os instrumentistas, permitindo que os temas solados pelos guitarristas ganhem mais espaço e brilho no concerto. Entre os destaques do alinhamento, constam também canções de Bangão, artista que marcou época com a Banda Movimento e no próprio Muzonguê da Tradição.
Proletário, presença assídua no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, revisita sucessos como "Scannia 11" e "Kizombas". Já Fiel Didi, que aposta integralmente na música, traz o tema "Mona Ndengue". Mago de Sousa, por sua vez, apresenta um semba com arranjos modernos voltado ao público jovem, com canções como "Carolina" e "Farra de Quintal". Lolito, com um repertório que homenageia vozes lendárias como Bangão, completa o elenco.
Na última edição do evento, realizada no dia 6 de abril, foi prestada uma homenagem a Calabeto, com atuações memoráveis de Sabino Henda, Dina Santos, Lulas da Paixão, Legalize, Robertinho, Mister Kim e novamente Lolito, todos acompanhados pela Banda Movimento.
Entre os homenageados desta edição estão Carlitos Vieira Dias, herdeiro do legado do Ngola Ritmo e do Conjunto Gingas, e António Imperial “Baião”, atual guitarrista dos Jovens do Prenda, conhecido por sua destreza nas cordas. Também figura Botto Trindade, referência do conjunto Os Bongos do Lobito, além de Teddy Nsingui e Kintino, integrantes da Banda Movimento.
No campo da percussão, destacam-se Joãozinho Morgado e Massano Júnior, cuja amizade e parceria ultrapassam seis décadas, sendo figuras centrais na evolução do semba. Morgado é apontado como responsável pela batida que reestruturou o género.
Raúl Tollingas, considerado um dos últimos guardiões da dikanza, completa o grupo de homenageados, reforçando a importância dos instrumentos tradicionais na preservação da identidade musical angolana.